Aosta, onde a Itália e França se misturam

Em nossa última viagem, em 2015, tiramos um dia para visitar Aosta, capital da região do Valle d’Aosta. Uma região autônoma da Itália, oficialmente bilíngue, sendo adotada tanto a língua italiana como a língua francesa. Em francês, a região é conhecida como Vallée d’Aosta. Mas, por conta das montanhas, possui paisagens típicas de uma cidade Suíça. Infelizmente, chegamos no final do verão, onde não é possível visualizar nenhum traço de neve nas montanhas ao redor da cidade ou durante o trajeto.

Além dessa referência, a região do Valle d’Aosta também guarda muito de sua história, com mais de cem castelos. A capital Aosta foi fundada em 25 a. C. pelo Império Romano, com o nome de Augusta Pretória, em homenagem ao Imperador Augusto. A escolha do local era ponto estratégico entre a Germânia e a Gália. A cidade ficou conhecida como a “Roma dos Alpes”, principalmente, pela quantidade de artefatos romanos encontrados, onde só perde para a própria Roma e Pompéia. É possível encontrar diversas portas romanas, o Teatro Romano di Aosta, o arco de triunfo de Augusto, as cintas muralhas e as torres. Além disso, a recém-inaugurada área megalítica de Saint-Martin-de-Corléans.

Como chegar

Para chegar até Aosta, você deve pegar o trem na estação Porta Nuova, em Turim, que é o grande centro mais próximo. O trem viaja por 1h até a comuna de Ivrea, onde será necessário trocar de trem. Depois de pouco mais de 2h, incluindo o trecho inicial, entre lindas paisagens, você chegará em Aosta. A passagem custa € 9,45.

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Se você estiver vindo de cidades Suíças como Genebra, Lausanne ou Montreux, é possível pegar um trem até Martigny e seguir em um ônibus até Aosta. Há somente 1 ônibus, por dia e custa € 10, por pessoa. A região da tríplice fronteira é atendida pela Viação Savda. Para quem pretende vir de carro, saindo de Genebra, ou de qualquer outra cidade da França próxima aos Alpes, passando por Chamonix-Mont-Blanc, pelo lado francês. A viagem dura cerca de 2h. No entanto, se estiver vindo de trem de cidades como Lyon, Paris ou Marselha, o melhor trajeto é mesmo seguir até Turim primeiro.

Onde se hospedar em Aosta

O melhor local para se hospedar em Aosta é próximo ao centro da cidade. Assim, é possível realizar passeios a pé pelos principais pontos turísticos locais. Além disso, serve como um ponto central estratégico que facilita o deslocamento entre as duas principais montanhas dos Alpes e cidades mais próximas. O centro da cidade de Aosta possui muitos restaurantes, mercados, além do comércio em geral. Tudo muito próximo, a poucos metros da estação de trem e da rodoviária urbana.

Durante o verão, os diversos campings dos vales laterais abrem de julho a setembro e, no inverno, para quem deseja esquiar em uma das estâncias do Valle d’Aosta, a capital acaba sendo uma opção mais econômica, apesar da distância.

 

Pratos Típicos da região

Falar de Itália é falar de comida. A região do Valle d’Aosta tem economia baseada na criação de gado e produção de leite e derivados, onde o ingrediente principal dos mais conhecidos pratos valdostanos é o queijo Fontina.

  • Fonduta — Fondue de queijo com o delicioso e forte queijo típico da região, o “La Fontina”.

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  • Zuppa alla Valpellinense — Uma sopa com caldo de carne, repolho, pão integral e queijo fontina.
  • Polenta concia alla Valdostana — a versão regional da polenta, com adição de queijo fontina. Alguma vezes, é acompanhado pelo Lardo d’Arnad, um toucinho originário da região, que é degustado em fatias muito finas.
  • Carbonade valdostana — Carne bovinha con cebola e vinho tinto.

Produção de vinho

Além da criação de gado e produção do queijo fontina, a região também é conhecida pela produção de vinho. O Valle d’Aosta é uma das menores regiões vinícolas da Itália, onde estão localizadas as vinícolas mais altas da Europa, plantados de 400 a 1225 metros, até as enconstas do Mont Blanc. Toda a região possui somente 600 hectares plantados e produz anualmente pouco mais de 1,7 milhões garrafas, divididas entre em vinhos de mesa e vinhos a Denominação de Origem Controladas Valle d’Aosta.

Entretanto, para enfrentar as adversidades ao longo dos séculos, foram formadas cooperativas e, hoje, existem seis associações no vale, além do Instituto Agrícola Regional, e de 35 pequenos viticultores representados pela associação Viticulteurs Encaveurs Vallée d’Aoste.

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O que fazer em Aosta

Aosta é uma cidade pequena e aconchegante, apesar de ser bem populosa. Os principais passeios estão localizados no centro da cidade e podem ser feitos a pé. A cidade possui um clima agradável no verão, porém com bastante vento. A temperatura média máxima é de 25ºC e, em janeiro, que costuma ser o mês mais frio do inverno, a mínima média chega a -3,2ºC.

Piazza Emile Chanoux
Piazza Emile Chanoux
Teatro Romano di Aosta

Com uma fachada de 20m de altura em algumas partes, as ruínas do Teatro Romano estão muito bem conservadas. Localizado no centro da cidade, é possível caminhar por entre as ruínas. O teatro é da época do Império Romano e, segundo historiadores, tinha capacidade para receber entre 3 e 4 mil espectadores. A visitação é gratuita e o horário pode ser consultado no site oficial. O Teatro Romano encontra-se a 300m da Piazza Emile Chanoux.

Teatro Romano di Aosta

Via Pretoria / Via Sant’Anselmo

É uma pequena rua, estreita, que sai à direita da Piazza Emile Chanoux e vai se revelando aos poucos. Nela, você vai encontrar boa parte do comércio local. Padarias, macellerias (açougue), sorveterias, joalherias, lojas de souvenires, pequenos mercados e lojas de roupas em geral, além de diversos restaurantes bares e cafés. A maioria das lojas funcionam entre 9h e 13h, fechando para a tradicional “sesta” italiana. Em Aosta, as lojas voltam a abrir a partir das 16h. Somente os restaurantes ficam abertos. Ao final, já com o nome de Via Sant’Anselmo, você encontrará a Porta Pretoria. Seguindo além do monumento, você vai encontrar novas lojas e atrações turísticas.

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Porta Pretoria

A Porta Pretoria é um legado da Aosta Romana. Constituída por uma fileira dupla de arcos de pedra, ladeados por uma torre medieval, era o acesso principal da cidade nos temos do Império Romano. Foi construída durante a fundação e, hoje em dia, encontra-se em excelente estado de conservação. O escritório de turismo da cidade está localizado no interior do monumento e passarelas permitem uma travessia fácil, devido a diferença de nível entre a Aosta atual e a da época romana.

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Área megalítica de Saint-Martin-de-Corléans

Quase meio século após a descoberta, o parque da área megalítica foi recentemente inaugurado. Conhecida como a “Stonehenge Italiana”, uma área de cerca de 10 mil metros quadrados estão trazendo de volta 6 mil anos de história. A visitação do lugar é uma novidade para moradores e turistas. Uma caminhada de 1,8km, saindo da Piazza Emile Chanoux é necessária para chegar lá. Mas, você pode pegar o ônibus linha 3 (Mortan-Bearegard) da empresa SVAP, no início da Via Xavier de Maistre, saindo à esqueda da mesma praça. Desça no oitavo ponto “Saint Martin Scuole”. Para retornar, é só pegar o mesmo ônibus.

Cattedrale di Santa Maria Assunta e San Giovanni Battista

Se trata de um monumento muito importante da região pois é a primeira catedral de Aosta. Destacam-se também, dois sinos das torres góticas e o Criptopórtico Forense, localizados na Piazza Giovanni XXIII. A origem do complexo religioso é datado do século IV. No entanto, a catedral foi reconstruída completamente durante o século XI. Em estilo romântico, a fachada possui dimensões imponentes e, é belíssima, assim como o interior.

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Criptopórtico Forense

Localizado junto ao complexo da Catedral de Aosta, o criptopórtico é uma estrutura subterrânea remanescente dos tempos de Augusta Pretoria. Constituída de três lados, disposta em túnel em forma de ferradura e dividida em dois corredores suportados por arcos e pilastras de mármore travertino.

Collegiata dei Santi Pietro e Orso

Esta igreja é uma das atrações mais visitadas da cidade. Possui uma fachada gótica simples com um portal alto e guarda tesouros em seu interior. Afrescos do século XI, a cripta com o túmulo de Sant’Orso, padroeiro da cidade, e um claustro lindo com capitéis esculpidos. Possui entrada gratuita e está localizada na Via Sant’Orso, a segunda rua após a Porta Pretoria, seguindo pela Via Sant’Anselmo.

Para onde ir, além de Aosta

Devido a proximidade com as mais altas montanhas dos Alpes, muitas pessoas procuram a região, em busca de estações de esqui e a prática de alpinismo, principais atividades turísticas do Valle d’Aosta. Durante o verão, a neve descongela em diversos parques, onde é possível conhecer algumas cachoeiras, oriundas do degelo dos picos, realizar passeios e atividades como ecoturismo. Como já dissemos, a dica é montar base em Aosta, por ser economicamente mais viável e estar bem localizada. Em seguida, traçar um roteiro para aproveitar a cidade e o que se tem para fazer na região.

Pila

Ainda em Aosta, você pode pegar a Cabinovia até a Pila, uma pequena comunidade que possui a mais moderna e importante estação de esqui da região. Situada a 1790m de altura, possui paisagens que vão desde o Mont Blanc até a Matterhorn. No local, você pode escolher desde as atividades de inverno como, esqui ou snowboard, como atividades que podem ser realizadas durante o verão, como mountain bike, trekking e outros tipos de ecoturismo.

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Parque Nacional Gran Paradiso

É um dos parques mais visitados da Itália, muito indicado para o verão na região. As montanhas com os picos cobertos de neve se contrastam com diversos vales arborizados e uma maravilhosa biodiversidade que escolheu o local. Durante o período de frio, o parque fica sob a neve e a vista da estrada entre Aosta e Cogne é simplesmente maravilhosa. É possível contratar serviços de excursão em seu interior para visitação e, também, para subir o Gran Paradiso com 4061m. Para chegar no parque, você deve ir até a cidade de Cogne, a 27km de Aosta. A viação SVAP possui uma linha regular entre as cidades e podem ser consultados aqui.

Parque Nacional Gran Paradiso

Mont Blanc de Courmayer

A 45km de Aosta fica a comuna de Courmayeur, localizada no sopé do maciço do famoso Monte Bianco (ou Mont Blanc, em francês), na fronteira franco-italiana. É uma pequena cidade de 3000 habitantes, que possui uma estação de esqui e fica na tríplice fronteira entre Itália, França e Suíça. Um túnel de 11,6km atravessa a montanha para Chamonix-Mont-Blanc, no lado francês.  No entanto, para ir até Orsières, na Suíça, você também precisa atravessar o túnel passando por Chamonix. Não há trem de Aosta para Courmayeur, você pode ir de carro ou de ônibus pela Viação Savda. O bilhete de ida e volta custa €6 e a viagem dura cerca de 1 hora.

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Monte Cervino (ou Matterhorn)

Um outro pico famoso é o Monte Cervino, na fronteira entre a Suíça e a Itália. Pelo lado suíço, também é conhecido como Matterhorn. O monte é muito famoso por estampar as caixas do chocolate Toblerone. Para chegar lá, você pode ir até Breuil-Cervina, a 56km de distância de Aosta. No local, além de esquiar, você pode subir através de uma cabinovia até outro pico, o Monte Rosa. De Breuil-Cervina, é possível ter uma bela visão do Monte Cervino. No entanto, a melhor imagem do monte é vista do Lago Blu e a mais conhecida, de Zermatt, na Suíça. Estando em Breuil-Cervina, é possível ir ao Lago Blu, de carro ou em uma caminhada de menos de 2km. Não existe caminho, através das montanhas, para chegar até Zermatt. Você deve retornar para Aosta, pegar um ônibus até Martigny, seguir de trem até Visp e, de lá, pegar o trem que vai para Zermatt.

Monte Cervino — vista do centro de Breuil-Cervina
Monte Cervino — vista do centro de Breuil-Cervina
Monte Cervino — visto do Lago Blu
Monte Cervino — visto do Lago Blu
Monte Cervino (Matterhorn) — visto de Zermatt, Suíça
Monte Cervino (Matterhorn) — visto de Zermatt, Suíça

*Atualizado em 19/04/2017 – 12h45

7 comentários em “Aosta, onde a Itália e França se misturam

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